09 de fevereiro de 2010

Apocalipse Motorizado

Ladrões dos Andes

Santiago é uma cidade plana, com prédios baixos, casas antigas e uma boa distribução demográfica de sua população. Organizada em 32 comunidades relativamente autônomas, cada bairro tem as sua administração própria, sua rede de serviços, comércio, moradias e equipamentos públicos.

Ao contrário de São Paulo, onde os subprefeitos são nomeados pelo Prefeito (geralmente seguindo apenas os projetos eleitorais individuais de um e de outro, bem como a política do toma-la-da-ca que divide os cargos entre os partidos da base aliada), em Santiago o cidadão elege diretamente o “prefeito” de seu bairro.

Assim como em diversas cidades do mundo, a população também escolhe os representantes (vereadores) de sua região no chamado “voto distrital”, evitando que um candidato da região X seja eleito pela região Y e, consequentemente, aproximando representante e representado.

Ao longo das últimas duas décadas, Santiago começou a perder uma parte de seu maior patrimônio: a Cordilheira dos Andes, que cerca a cidade, está sendo roubada por empreendimentos imobiliários. Não a cordilheira em si, claro, mas a imagem onipresente das montanhas que, até bem pouco tempo, podiam ser vistas de qualquer ponto da cidade.

Talvez aproveitando-se dos efeitos de memória causados pela poluição veicular, que praticamente esconde as montanhas entre os meses de Maio e Agosto, construtores  e especuladores começaram a erguer espigões de vidro e concreto que deixariam os entusiastas da Berrini e Águas Espraiadas com água na boca.

Pouco a pouco, o horizonte começa a ser tomado por guindastes, máquinas e homens trabalhando pela verticalização estúpida da cidade.

Prédios de três ou quatro andares ou casas antigas dão lugar a espigões desnecessários, ostentadores, onipresentes. Aos poucos, a Cordilheira começa a desaparecer.

Um dos primeiros “robocops” a roubar as montanhas é o da foto acima, construído pela Telefónica na época em que o Chile resolveu privatizar seus serviços de telecomunicações.

Como retribuição pela entrega do sistema de telefonia móvel, a empresa esapanhola deixou fincado no horizonte um prédio de vidro que imita um aparelho de telefone celuar. Bom gosto e criatividade capazes de deixar os “parques”, “pátios” e demais enclaves fortificados que hoje adornam as margens do endinheirado e fétido rio Pinheiros no chinelo.

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de luddista em 09 de fevereiro de 2010, 04:27

08 de fevereiro de 2010

Bicicletada Curitiba

Seu Peters


Na Holanda (e alguns países onde a bicicleta tem vez), o condutor do veículo motorizado é responsável em caso de colisão carro – bicicleta. Esse é o princípio primário. O motorista precisa comprovar que não teve qualquer culpa. Mesmo que o ciclista tenha cometido algum engano, algum movimento brusco, o motorista precisa estar ciente de que isso pode acontecer por várias razões (digamos, pedras, buracos, pessoas etc.), devendo então reduzir a velocidade com antecipação, de modo a evitar a colisão.

de Peters em 08 de fevereiro de 2010, 06:08

Apocalipse Motorizado

Dia de domingo

Santiago, capital do Chile, tem muitas praças e parques. Ao contrário da capital paulista, suas áreas verdes e de convivência são repletas de agradáveis bancos para sentar ou deitar.

Em Santiago, nada de assentos sem encosto, nada de cercas ao redor das praças e nem sinal dos pântanos anti-gente que viraram moda nas áreas verdes paulsitanas.

Santiago tem milhares de confortáveis bancos e centenas de deliciosos gramados para que o cidadão aproveite seus dias ou horas livres no espaço público.

A São Paulo higienista dos pântanos, das cercas ao redor de praças e dos bancos sem encosto é lugar de passagem, é a anti-cidade que expulsa seus cidadãos do espaço público, confinando-os em celas móveis ou imóveis, verdes ou cinzas, pagas ou gratuitas.

fotos – Chile

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de luddista em 08 de fevereiro de 2010, 02:21

Transporte Ativo

A reinvenção do mundo, pedalando

O jornalista Arthur Dapieve escreveu uma resenha sobre o livro “Diários de Bicicleta” que foi publicada no jornal O Globo em 11 de dezembro de 2009. Mais do que bicicletas, o livro de Byrne fala sobre cidades, pessoas, culturas. Tudo pela perspectiva de quem, por acaso, utiliza a bicicleta como seu principal meio de transporte [...]

de João Lacerda em 08 de fevereiro de 2010, 03:23

07 de fevereiro de 2010

05 de fevereiro de 2010

Bicicletada Curitiba

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Quem quer que diga "construir rodovias em meio urbano é uma boa idéia", precisa ter a sua cabeça examinada

(Carfree Art da Adbusters)

de bicicletadacuritiba2 em 05 de fevereiro de 2010, 04:10

Transporte Ativo

Superpoderes Ciclísticos: Sensualidade

A publicidade é capaz de convencer as pessoas a sonharem com o que não podem ter ou desejarem o que não precisam. As boas campanhas podem incentivar comportamentos positivos, mas nenhuma quantia em dinheiro pode ser capaz de convencer as pessoas a mudarem seu comportamento por muito tempo. Não bastam imagens, textos criativos e um [...]

de João Lacerda em 05 de fevereiro de 2010, 09:42

04 de fevereiro de 2010

Apocalipse Motorizado

Liberdade? Velocidade? Poder?

Estacionamento do Conjunto Nacional, quinta-feira, 19h22.

Do lado de fora não havia chuva, não havia caminhão quebrado, motoqueiro assassinado, pedestre atropelado “atrapalhando o trânsito”… Apenas carros e mais carros; quase todos com apenas uma pessoa dentro, assim como os cerca de dez veículos enfileirados na saída da garagem.

Sim: em um determinado momento, dois monstroristas pediram socorro através de suas estridentes buzinas. Dentro da garagem…

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de luddista em 04 de fevereiro de 2010, 11:15

Transporte Ativo

Sinais dos tempos

Duas imagens captadas em um mesmo dia no Rio de Janeiro mostram que a cidade está cada vez mais com os pés firmes no pedal. No ônibus a publicidade oficial incentiva a deixar o carro em casa no Carnaval (que já começou). Afinal, mais do que em qualquer outra época do ano, as ruas são abertas [...]

de João Lacerda em 04 de fevereiro de 2010, 10:00

03 de fevereiro de 2010

Apocalipse Motorizado

Aqui pra você

A foto acima foi inspirada pelo site Fuck You and Your H2, uma sublime declaração de repúdio ao Hummer, o automóvel mais boçal e agressivo já inventado pela espécie que decidiu que os polegares opositores servem essencialmente para disparar mísseis, apertar botões e empunhar armas (de fogo ou movidas a combustível).

Hummers são raridade nas ruas brasileiras. Custam caro. Por aqui, o grande sucesso são os monstros coreanos com nomes de cidades americanas (mais baratos, passíveis de um endividamento em prazo maior), quase sempre com vidros anti-gente e apenas uma pessoa dentro.

O Hummer é um veículo de guerra, “adaptado” para promover a guerra no espaço urbano. No vídeo acima, um Humvee “em ação” nas ruas de Bagdá durante a ocupação estadunidense. O Humvee é a versão original das armas de destruição em massa vendidas a qualquer cidadão que possua algumas centenas de milhares de dólares.

Sem limites nem leis, o soldado invasor pilota sua máquina de guerra da mesma maneira que boa parte dos motoristas urbanos gostaria de dirigir, jogando todos os obstáculos para longe, com medo, com pressa ou com qualquer outra desculpa de guerra.

Arrefecer o impulso individualista e destrutivo de uma máquina de guerra transformada em meio de transporte é parte do contrato social estabelecido pelas leis de trânsito. Em lugares onde o pacto que nos permite viver juntos continua colocando o “ser” depois do “ter”, comportamentos semelhantes ao do soldado invasor são frequentes, cotidianos e destrutivos, ainda que praticamente invisíveis aos olhos oficiais.

A cotidiana guerra urbana tem como principais motores a velocidade, o anonimato, a impunidade e a segregação. Tem seus generais encastelados em escritórios corporativos, sua infantaria pronta para morrer em larga escala, sua cavalaria armada com muito desperdício para derrubar rapidamente qualquer um que se oponha e até sua central de inteligência e contra-informação, pronta para sufocar com uma enxurrada de anúncios e notícias “verdes” e de “responsabilidade social” qualquer tentativa de libertação dos territórios ocupados.

O estado de guerra causado pelo domínio do automóvel e de seus soldados apressados é claro e explícito, enfrentado cotidianamente por qualquer um que ouse desertar e enfrentar o mundo do lado de fora da bolha.

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de luddista em 03 de fevereiro de 2010, 09:53

Transporte Ativo

Aventuras sem freios

A bicicleta como veículo lúdico e hobby divide-se em incontáveis “tribos”. Variam os diâmetros de roda, dimensões e geometria do quadro, materiais, relações de marcha, etc. Em comum, sempre, as duas rodas, os pedais e a possibilidade de usar a bicicleta como lazer e meio de transporte. Em vídeo, duas tribos: Fixeiros que vão de Tóquio [...]

de João Lacerda em 03 de fevereiro de 2010, 03:01

02 de fevereiro de 2010

Transporte Ativo

Promoção e educação para o uso da bicicleta

Tudo na bicicleta, e os primeiros a chegar. Em mais uma parceria com o poder público a Transporte Ativo uniu-se à prefeitura do Rio para ajudar no trabalho de conscientização e educação cicloviária. Estiveram presentes a Cet-Rio, a Secretaria de Meio Ambiente (SMAC) e a de Saúde, cada um com uma abordagem diferente em relação as [...]

de João Lacerda em 02 de fevereiro de 2010, 10:52